Refinaria da Amazônia ao pôr do sol

Refinaria da Amazônia: Mitos e Verdades

O papel da refinaria na região Norte

A Refinaria da Amazônia (REAM), localizada em Manaus, é a única refinaria da região Norte e exerce papel fundamental no abastecimento de combustíveis em um território marcado por grandes distâncias e desafios logísticos.

Como parte do Grupo Atem, com mais de 30 anos de atuação na Amazônia, a REAM vem passando por um processo contínuo de modernização, com foco em eficiência, segurança operacional e responsabilidade ambiental.

Embora seja um ativo essencial para o abastecimento regional, a REAM não atua de forma isolada. A região também é atendida por outros fornecedores, incluindo a Petrobras e operações de importação, o que contribui para a dinâmica competitiva e a formação de preços no mercado.

Do poço ao posto

Conheça o caminho do petróleo até chegar ao combustível do seu carro.

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Extração do Petróleo

O petróleo bruto é extraído de campos de produção e transportado, geralmente por navios, até a refinaria, onde será processado para a produção de combustíveis. Existem diferentes tipos de petróleo — leve, médio e pesado — classificados conforme sua densidade e composição. Cada tipo apresenta características específicas de refino e resulta em diferentes perfis de derivados, influenciando diretamente o rendimento e a variedade de produtos obtidos.

Comparação entre barril de petróleo de Urucu e importado - ambos custam US$ 100
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Refino na Refinaria

Na refinaria, o petróleo passa por processos de destilação e tratamento. Nem todas as refinarias conseguem produzir o combustível final — algumas geram derivados intermediários, como nafta e gasóleo.

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Complementação e Blendagem

Quando a refinaria não entrega o produto pronto, é necessário misturar (blendar) os derivados intermediários com componentes importados ou adquiridos de terceiros para atingir as especificações da ANP.

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Distribuição e Logística

O combustível finalizado é transportado para as bases de distribuição.

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Revenda nos Postos

As distribuidoras entregam o combustível aos postos, que definem o preço final ao consumidor. O valor na bomba inclui todos os custos anteriores, mais tributos e margem de revenda.

Equipamentos de processamento da refinaria

REAM, uma refinaria da década de 50

A REAM possui uma estrutura de refino originária da década de 1950, com limitações que não permitem a produção completa de gasolina e diesel (S10 e S500) apenas por meio do refino.

Por isso, a refinaria produz derivados intermediários, como a nafta, que precisam ser complementados por meio de blendagem com componentes adquiridos externamente, inclusive por importação.

Mesmo operando em plena capacidade, parte relevante dos insumos depende de fornecimento externo, o que adiciona custos de logística, câmbio e aquisição, impactando o preço final.

Além disso, o diesel S10 e S500 exigem etapas adicionais de tratamento que não são totalmente atendidas pela estrutura original da refinaria, sendo esse um fator técnico que influencia a formação de preços na região Norte.

Como se forma o preço do combustível

O preço final na bomba é resultado de uma composição de diversos fatores. A refinaria é apenas uma parte dessa cadeia. Veja a decomposição real de preços, segundo publicado no site da ANP no Brasil*.

Gasolina Comum

29,6%
17,0%
10,8%
24,9%
17,7%
Preço Produtor29,6%
Etanol Anidro17,0%
Tributos Federais10,8%
Tributos Estaduais24,9%
Distribuição + Revenda17,7%

Diesel S500

45,3%
13,5%
19,4%
16,4%
Preço Produtor45,3%
Biodiesel13,5%
Tributos Federais5,3%
Tributos Estaduais19,4%
Distribuição + Revenda16,4%

Diesel S10

44,6%
13,3%
19,2%
17,6%
Preço Produtor44,6%
Biodiesel13,3%
Tributos Federais5,2%
Tributos Estaduais19,2%
Distribuição + Revenda17,6%

Fonte: ANP (média janeiro/2026)

O preço final não é definido apenas pela refinaria. É uma composição de custos de produção, logística, distribuição, tributos e margens de revenda.

Participação no mercado de Combustíveis do Norte

A análise da participação de mercado da Refinaria da Amazônia (REAM) por produto, considerando os últimos 12 meses (fev/25 a jan/26), demonstra um cenário competitivo e sem concentração relevante.

No período, a participação média da REAM foi de aproximadamente 17% no mercado de gasolina A e 20% no de diesel A. Além disso, observa-se significativa variação mensal evidenciando a ausência de posição dominante e a influência direta das condições de oferta e demanda.

Esse comportamento reforça que o abastecimento da região Norte é amplamente compartilhado com outros agentes, como Petrobras, importadores e distribuidoras concorrentes.

Dessa forma, a REAM não possui escala nem estabilidade de participação que permita influenciar preços, que seguem a dinâmica de mercado, referências internacionais e a livre concorrência.

Gasolina A

Média fev/25 a jan/26

17%REAM
REAM 17%
Outros fornecedores 83%

Diesel A

Média fev/25 a jan/26

20%REAM
REAM 20%
Outros fornecedores 80%

Fonte: dados internos REAM (fev/2025 a jan/2026)

Como conflitos no Oriente Médio podem impactar os combustíveis na Amazônia

Os preços dos combustíveis no Brasil — especialmente na região Norte — são diretamente influenciados pelo mercado internacional de petróleo.

Em cenários de instabilidade global, como conflitos no Oriente Médio, a oferta de petróleo pode ser reduzida. Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer interrupção nessa rota impacta rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda.

Quando há menor disponibilidade de petróleo no mundo, todos os mercados são afetados. Nesse contexto, o produto tende a ser direcionado para as regiões que oferecem maior remuneração, intensificando a competição global e pressionando os preços em mercados mais distantes ou com maior complexidade logística, como a região Norte do Brasil.

Mapa do Estreito de Ormuz mostrando fluxo de petróleo

Estreito de Ormuz — principal rota de passagem de petróleo no mundo

Por que o Estreito de Ormuz importa?

20%

do petróleo mundial passa por essa rota marítima estratégica

Conecta os maiores produtores do Golfo Pérsico ao mercado global

Qualquer interrupção afeta imediatamente o preço global do barril

O que acontece em cenários de conflito?

Quando há risco de interrupção no fornecimento global, três efeitos são imediatos:

Alta do petróleo

O preço do barril sobe diante do risco de escassez.

Frete mais caro

Aumento de seguros e custos logísticos.

Reposição mais cara

Toda a cadeia passa a pagar mais pelos combustíveis.

Além disso, pode haver redução da oferta, com interrupções de rotas, queda nas exportações e retenção de estoques por países.

Com menos produto disponível e alta demanda, o efeito é direto: preços mais altos e maior risco de desabastecimento, especialmente de diesel — combustível do qual o Brasil ainda depende parcialmente de importações.

O diesel é essencial para transporte de cargas, logística de alimentos e atividades industriais. O Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome.

Livre mercado e concorrência

A REAM não é a única fornecedora de combustíveis para a região Norte. O mercado brasileiro de combustíveis opera em regime de livre mercado e concorrência.

As distribuidoras podem comprar combustíveis de outros fornecedores nacionais ou importar combustível diretamente. Isso significa que existem alternativas de suprimento além da refinaria local.

Mesmo uma refinaria regional sofre influência do preço internacional, porque o mercado doméstico convive com referências de importação, arbitragem entre mercados e competição potencial com outros supridores.

Como funciona o mercado de combustíveis na região Norte

Fornecedores

REAM
Petrobras
Importadores
Outros fornecedores

Distribuidoras

Compram de múltiplos fornecedores e podem importar diretamente

Livre escolha de fornecedor

Postos de Combustível

Empresas independentes com liberdade para definir preços

334 postos em Manaus
8+ bandeiras diferentes
Preço definido individualmente

O mercado é aberto e competitivo — nenhum agente isolado define os preços

Perguntas e respostas

A Refinaria da Amazônia (REAM) integra uma cadeia estratégica de abastecimento para a Região Norte. Reunimos aqui respostas objetivas, em linguagem acessível, para esclarecer dúvidas frequentes sobre nossas operações, a formação de preços e os desafios logísticos da região.

Mercado, concorrência e atuação da REAM

Preços, geopolítica e formação de mercado

Operação da refinaria e estratégia de suprimento