
A Refinaria da Amazônia (REAM) é a única refinaria da região Norte do Brasil, localizada em Manaus. Sua importância é estratégica porque atende uma região com forte dependência logística fluvial e grande distância dos principais polos de refino do país.
A REAM é uma empresa do Grupo Atem, que possui 30 anos de atuação na Amazônia. A refinaria surgiu para elevar a eficiência e aumentar a produtividade da Refinaria de Manaus, com os mais altos padrões de governança, segurança e compromisso com o meio ambiente e as comunidades do entorno.
Com histórico que remonta à década de 1950, a refinaria é essencial para o abastecimento regional, mas possui limitações técnicas e operacionais que precisam ser compreendidas para se entender a formação de preços na região.
O caminho do petróleo até chegar ao combustível do seu carro
O processo de refino transforma o petróleo bruto em derivados utilizáveis. Nem toda refinaria produz todos os produtos finais — algumas produzem insumos intermediários que precisam de etapas adicionais. Veja o passo a passo:
O petróleo bruto é extraído de campos de produção e transportado por navios até a refinaria. É a matéria-prima que dará origem aos combustíveis.
Na refinaria, o petróleo passa por processos de destilação e tratamento. Nem todas as refinarias conseguem produzir o combustível final — algumas geram derivados intermediários, como nafta e gasóleo.
Quando a refinaria não entrega o produto pronto, é necessário misturar (blendar) os derivados intermediários com componentes importados ou adquiridos de terceiros para atingir as especificações da ANP.
O combustível finalizado é transportado para as bases de distribuição.
As distribuidoras entregam o combustível aos postos, que definem o preço final ao consumidor. O valor na bomba inclui todos os custos anteriores, mais tributos e margem de revenda.
Importante: Nem toda refinaria produz todos os produtos finais. Algumas refinarias, por limitações técnicas ou de estrutura, produzem apenas derivados intermediários que precisam de etapas adicionais de complementação e blendagem para se tornarem combustíveis prontos para uso. A REAM, por exemplo, não possui estrutura para refinar petróleo e finalizar em gasolina ou diesel S10/S500. Para entregar o combustível pronto ao consumidor, é necessário um processo de blendagem — a mistura dos derivados intermediários produzidos pela refinaria com componentes adquiridos externamente.

A REAM é uma refinaria com estrutura originária da década de 1950, o que significa que seus processos de refino são incompletos. Diferente de refinarias mais modernas e maiores, a REAM não possui unidade completa para a finalização de gasolina e diesel (S10 e S500) apenas pelo refino.
A refinaria produz derivados intermediários, como nafta, que precisam ser complementados. Para entregar o combustível final, é necessário realizar uma mistura (blendagem) com componentes adquiridos externamente. Por isso, a importação de componentes sempre será necessária para a finalização dos produtos.
Isso significa que, mesmo com a refinaria operando em plena capacidade, parte significativa dos insumos precisa vir de fora — seja de outras refinarias nacionais, seja de fornecedores internacionais. Esse processo de complementação adiciona custos de logística, câmbio e aquisição que impactam diretamente o preço final do combustível.
Além disso, o diesel S10 e o diesel S500 exigem etapas adicionais de tratamento e mistura que a estrutura original da refinaria não foi projetada para realizar de forma autônoma. Essa limitação técnica é um fator estrutural que influencia a formação de preços na região Norte.
O preço final na bomba é resultado de uma composição de diversos fatores. A refinaria é apenas uma parte dessa cadeia. Veja a decomposição real de preços, segundo publicado no site da ANP no Brasil*.
Fonte: ANP (média janeiro/2026)
O preço final não é definido apenas pela refinaria. É uma composição de custos de produção, logística, distribuição, tributos e margens de revenda.
A análise da participação de mercado da Refinaria da Amazônia (REAM) por produto, considerando os últimos 12 meses (fev/25 a jan/26), demonstra um cenário competitivo e sem concentração relevante.
No período, a participação média da REAM foi de aproximadamente 17% no mercado de gasolina A e 20% no de diesel A. Além disso, observa-se significativa variação mensal evidenciando a ausência de posição dominante e a influência direta das condições de oferta e demanda.
Esse comportamento reforça que o abastecimento da região Norte é amplamente compartilhado com outros agentes, como Petrobras, importadores e distribuidoras concorrentes.
Dessa forma, a REAM não possui escala nem estabilidade de participação que permita influenciar preços, que seguem a dinâmica de mercado, referências internacionais e a livre concorrência.
Os preços dos combustíveis que chegam até o consumidor no Brasil — e especialmente na região Norte — são influenciados por fatores que vão muito além das fronteiras do país. Entre eles, um dos mais importantes é a estabilidade do mercado internacional de petróleo.
Quando ocorrem conflitos em regiões estratégicas, como o Oriente Médio, esses impactos podem ser sentidos rapidamente em diferentes partes do mundo, inclusive na Amazônia.
Um dos pontos mais sensíveis do sistema global de energia é o Estreito de Ormuz, uma rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
Esse estreito conecta grandes produtores de petróleo do Golfo Pérsico ao restante do planeta. Quando há risco de fechamento, ataques ou restrições nessa região, o mercado global entra em alerta.
Isso acontece porque qualquer interrupção pode dificultar o transporte de petróleo e derivados, reduzindo a oferta disponível no mercado.

Estreito de Ormuz — principal rota de passagem de petróleo no mundo
Quando o mercado percebe risco de interrupção no fornecimento, três efeitos principais ocorrem quase imediatamente:
O petróleo é uma commodity global. Se há risco de escassez, o preço do barril aumenta. Em momentos recentes de tensão, o valor do petróleo saiu da faixa de US$ 80–85 e chegou próximo de US$ 120 por barril.
Navios que operam em regiões de risco passam a pagar seguros mais altos, e o frete marítimo também aumenta. Isso eleva o custo para trazer petróleo e combustíveis até os mercados consumidores.
Empresas precisam pagar mais caro para recompor seus estoques. Esse aumento se espalha por toda a cadeia: refinarias, distribuidoras e postos.
Além do aumento de preços, um ponto fundamental é a possível escassez de combustíveis no mercado.
Quando há conflitos mais intensos:
Isso significa que, além de mais caro, o combustível pode ficar menos disponível.
Quando há menos produto disponível e a demanda continua alta, ocorre um efeito clássico de mercado:
➡️ o preço sobe ainda mais
Esse cenário costuma afetar principalmente o diesel, que é um combustível essencial para:
Como o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome, qualquer dificuldade no mercado internacional impacta diretamente o abastecimento e os preços.

Transporte fluvial de combustíveis na Amazônia
A REAM não é a única fornecedora de combustíveis para a região Norte. O mercado brasileiro de combustíveis opera em regime de livre mercado e concorrência.
As distribuidoras podem comprar combustíveis de outros fornecedores nacionais ou importar combustível diretamente. Isso significa que existem alternativas de suprimento além da refinaria local.
Mesmo uma refinaria regional sofre influência do preço internacional, porque o mercado doméstico convive com referências de importação, arbitragem entre mercados e competição potencial com outros supridores.
A Refinaria da Amazônia (REAM) integra uma cadeia estratégica de abastecimento para a Região Norte. Reunimos aqui respostas objetivas, em linguagem acessível, para esclarecer dúvidas frequentes sobre nossas operações, a formação de preços e os desafios logísticos da região.